- Teu rosto, Lóri, tem um mistério de esfinge: decifra-me ou te devoro (…).
- Meu mistério é simples: eu não sei como estar viva.
- É que você só sabe, ou só sabia, estar viva através da dor.
- É.
- E não sabe como estar viva através do prazer?
- Quase que já. Era isso o que eu queria te dizer.
Gravity cannot be held responsible for people falling in love.
Deixamos ao escritor de ficção descrever-nos as condições necessárias ao amor que determinam a escolha de um objeto feita pelas pessoas e a maneira pela qual elas conduzem as exigências de sua imaginação em harmonia com a realidade. O escritor pode, realmente, valer-se de certas qualidades que o habitam de realizar essa tarefa: sobretudo, de sensibilidade que lhe permite perceber os impulsos ocultos nas mentes de outras pessoas e de coragem para deixar que a sua própria, inconsciente, se manifeste. Há, entretanto, uma circunstância que diminui o valor comprobatório do que ele tem a dizer. Os escritos estão submetidos à necessidade de criar prazer intelectual e estético, bem como certos efeitos emocionais. Por essa razão, eles não podem reproduzir a essência da realidade tal como é, se não que devem isolar partes da mesma, suprimir associações perturbadoras, reduzir o todo e completar o que falta. Esses são os privilégios do que se conviencionou chamar “licença poética”.
- Eu gosto de ti por vários motivos dentre os quais o mais relevante talvez seja o fato de saber que verdadeiramente você gosta de mim.
- Como é que a gente sabe que perdeu algo ou alguém importante e raro?
- Sei lá. Como é que a gente sabe que encontrou?
Ciúme é querer manter o que se tem, cobiça é querer o que não se tem, inveja é querer que o outro não tenha.
Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras.
O sintoma pode ser uma forma, às vezes dramática, de expressar alguma necessidade muito profunda que, por alguma razão, não pode ser expressa de outra maneira – é um grito silencioso de socorro que precisa ser cuidadosa e respeitosamente ouvido. Revela um dos muitos paradoxos humanos: o de que evitar o sofrimento gera sofrimento. Em funcionamento não saudável, sintomas podem ter uma função compensatória indicando um desequilíbrio. O sintoma pode revelar, metaforicamente, o que a pessoa não pode dizer.